Os custos logísticos no Brasil devem alcançar R$ 2,2 trilhões em 2026, equivalentes a 16,1% do Produto Interno Bruto. A projeção foi divulgada pelo Instituto de Logística e Supply Chain (ILOS) e considera os recursos necessários para transportar, armazenar e financiar estoques no país.
O percentual supera os 15,5% registrados em 2025 e representa o maior patamar estrutural desde 2022. O levantamento também mostra que a logística consome, em média, 9,5% da receita líquida das mais de 100 grandes empresas pesquisadas no primeiro semestre de 2026.
Os números de 2026 são estimativas do ILOS, enquanto os de 2027 refletem as expectativas das empresas pesquisadas.
A conta não termina no valor do frete
O transporte permanece próximo de 9% do PIB desde 2020. A variação mais expressiva ocorreu no estoque, cujo custo passou de 2,9% do PIB em 2020 para 5,6% em 2023, mantendo-se nesse nível em 2025.
O movimento está relacionado ao custo de sustentar capital imobilizado em mercadorias. Com juros elevados, um produto parado no armazém representa mais do que espaço ocupado. Ele compromete caixa, eleva a necessidade de capital de giro e amplia a exposição a perdas, obsolescência e mudanças de demanda.
Essa leitura amplia o papel da logística como instrumento de previsibilidade e controle. Uma decisão baseada apenas no menor valor de frete pode transferir despesas para outras etapas da operação.
Um prazo maior pode exigir mais estoque de segurança. Uma rota pouco confiável pode aumentar a frequência de reprogramações. Uma entrega perdida pode gerar parada de produção, horas extras, compras emergenciais ou descumprimento de contratos.
Reduzir custo exige saber onde ele nasce
A pressão dos combustíveis continua relevante, mas a análise precisa ir além dela. O artigo sobre quando o preço do diesel revela uma fragilidade maior mostra como oscilações no transporte podem expor estoques enxutos, prazos rígidos e pouca margem de contingência.
Para revisar os custos logísticos, gestores podem começar por quatro perguntas:
- Qual é o custo total de cada fluxo, somando transporte, armazenagem, estoque e capital?
- Quanto custa uma falha de entrega para produção, manutenção ou atendimento ao cliente?
- Quais cargas precisam de máxima velocidade e quais aceitam consolidação ou prazo maior?
- Em quais rotas a imprevisibilidade gera mais despesas do que o preço inicialmente contratado?
As respostas ajudam a separar operações rotineiras de movimentos realmente críticos. Também permitem definir níveis de serviço compatíveis com o valor e a urgência de cada carga.
Modalidade deve acompanhar a criticidade
A escolha entre transporte aéreo, rodoviário ou uma combinação de alternativas não deve seguir uma regra única. A multimodalidade na prática permite equilibrar prazo, cobertura e custo conforme a necessidade de cada trecho.
Para materiais programados, consolidação e planejamento tendem a oferecer melhor eficiência. Para uma peça capaz de interromper uma linha de produção, o custo do atraso pode superar amplamente a diferença entre modais.
Quanto maior a consequência da falha, menor a utilidade de comparar somente tabelas de frete. A análise precisa considerar o tempo máximo disponível, a localização da carga, as alternativas de rota e o impacto financeiro da indisponibilidade.
O mesmo raciocínio aparece nas medidas para reduzir riscos de parada de fábrica. Contingência bem desenhada não significa usar sempre o serviço mais rápido. Significa ter critérios para acioná-lo antes que a ruptura se transforme em prejuízo maior.
O que preparar para 2027
O levantamento do ILOS informa que 69% das empresas pesquisadas esperam aumento no custo de transporte em 2027, com alta média projetada de 9,6%. Na armazenagem, 44% preveem aumento médio de 5,7%. Para estoques, 31% esperam alta média de 7%.
Diante dessa perspectiva, o orçamento logístico deve ser organizado por rota, criticidade e nível de serviço. Indicadores como prazo real, índice de falhas, custo de estoque e despesa provocada por urgências oferecem uma visão mais útil do que médias nacionais isoladas.
Custos logísticos exigem uma visão integrada
A projeção de R$ 2,2 trilhões reforça que a gestão logística precisa considerar transporte, armazenagem, estoque e capital de forma integrada. Ao identificar o custo das falhas, classificar as cargas por criticidade e definir o nível de serviço conforme o risco, as empresas ganham uma base mais sólida para proteger suas margens e preservar a continuidade operacional.
A Conexlog é especializada no transporte de cargas críticas e emergenciais, com cobertura nacional e atendimento 24 horas por dia, sete dias por semana. Empresas que precisam avaliar alternativas aéreas, rodoviárias ou dedicadas podem solicitar uma cotação e comparar a solução indicada com os custos e os impactos operacionais de esperar.